
Cadeia, o grande
sertão de Graciliano
“Memórias do Cárcere”, a obra maior do prisioneiro que
radiografou o ofício da literatura ao confiná-la em cubículos, dividindo espaço
com a diversidade do povo marcado para morrer.
Cigarros ordinários acesos um
no outro para economizar fósforo, um restinho de iodo para desinfetar um
ferimento no dedo, papel e caneta embrulhados em pijamas e outros trapos numa
valise que carrega por todo lado, por mais de cinco prisões para onde foi jogado
junto com milhares de outros presos políticos, misturados a vigaristas, ladrões
e malandros, acompanham o escritor na sua faina: o de escrever notas que mais
tarde vão continuar a literatura iniciada nos confins do Brasil seco e
violento. Os livros que esmerilha na sua rotina brutal são narrados como
personagens ocultos, um amontoado de letra miúda, mal alinhavadas e passíveis
de todas as correções.